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Artigo

Autores: MARCOS AURÉLIO FRANTZ VIANNA

PERSPECTIVAS PÓS CORONAVÍRUS

Data de Publicação 00/00/0000 Editora Onde Encontro

PERSPECTIVAS PÓS CORONAVÍRUS Agradeço aos amigos jornalistas Kiko e Adriana pelo convite e me sinto muito honrado em escrever essas poucas palavras sobre nossa impressão quanto ao tema. Vamos seguir a linha da proposta dos ilustres organizadores. Coronavírus (Covid-19) De fato “viver o presente”, conhecer o passado e tentar se projetar no futuro em um mundo tão acelerado não é das tarefas mais fáceis. Quantas desculpas tínhamos para não olhar para nós mesmos, para família, nossa vizinhança, nosso bairro. Estamos muito ocupados em resolver problemas, atarefados demais. De repente, um vírus de proporção mundial fez tudo parar. Nos obrigou a ficar em casa, deixamos nossos compromissos. A final de contas porque fazemos tudo o que fazemos todos os dias? Muitos nem param para refletir porque o mundo se move assim tão rápido. Qual é a urgência? Seria a busca pela felicidade? Mais Poder? Mais notoriedade? A pretensão de deixar uma marca no mundo? Porque tudo isso? Fazemos parte do mundo, somos o mundo. Talvez os seres humanos do ponto de vista biológico seriam um desequilíbrio, nos reproduzimos de forma exagerada, a pondo de pressionar cada vez mais por recursos naturais, alimentos etc. A natureza de uma forma ou outra se encarrega de reequilibrar as coisas. Na China, de tudo se come. Lá sempre existiu escassez de comida. Os mais variados insetos ou qualquer coisa que se mova vira comida. Dessa vez foi o morcego, com seu habitante, uma variação do coronavírus, que “resolveu” aproveitar oportunidade e trocar de hospedeiro, e a velocidade de contaminação e transmissão surpreendeu a todos. Certo que teremos uma nova forma de ver o mundo, a partir desse momento, estamos vivendo a história, e é hora de refletir. Numa perspectiva pessimista em relação a possibilidade de contaminação talvez 1/3 da população mundial possa ser dizimada se nada for feito (isolamento total), tal como aconteceu com outras doenças catastróficas, a exemplo da peste negra. Estimativas dão conta que ela tenha matado entre 75 a 200 milhões de pessoas. Naquela época as condições sanitárias eram péssimas. A lição: aprendemos a cuidar do saneamento básico e do lixo. Se optarmos por salvar a economia, e manter acumulação de riqueza aos mais ricos e aos não tão ricos também, ainda sim existe a possibilidade de 1/3 da humanidade ser dizimada e não ser possível salvar essas economias. O vírus é democrático, não escolhe classe social, é pra todos. A cura e o resguardo da vida, talvez alguns poucos, que possuam muito recurso, possam ter seus atendimentos reservados em casa. Médicos particulares, todo e qualquer tipo de recurso que possam comprar. Um preço será pago pelos que não forem solidários, quando deles se esperava o mínimo de empatia e solidariedade. Em uma perspectiva mais otimista em relação a contaminação, muitos nem terão os sintomas, quem sabe somente os mais velhos estarão entregues a sua própria sorte. De fato, aqueles que possuem muito dinheiro poderão montar em suas próprias casas pequenas UTIs. Poderão se salvarem em “pequenas Arcas de Noé”. Os que restará aos demais será verem seus entes irem embora, pais e avós, sem sequer poder fazer os atos fúnebres, caxões lacrados, em muitos casos sem possibilidade de velório. Depois do sistema entrar em colapso só receberão um documento de óbito, nada mais, em razão dos corpos terem que ser queimados diretamente sem a presença dos parentes. Será que manterão a mesma visão de mundo? Certamente que não. Não haverá outro pensamento que não seja que “devemos ter um estado forte”, para quando for necessário ele possa agir, teremos que ter uma sociedade solidária e um estado solidário também. Porque se vive só o agora, um segundo de cada vez. Vidas em primeiro lugar, o resto sempre é para depois. Não existe valor maior que a vida. Trata-se de um valor universal. Refletir é necessário. Para os amantes do conhecimento do cosmos a vida em (e o) nosso planeta é tão especial. As condições que nos permite estarmos vivos são raras. Fora dele a vida é muito difícil, para termos uma noção a estrela mais próxima de nós a (Próxima Centauri1) está a 4,22 anos luz, o que significa uma distância de quatro anos viajando na velocidade da luz para chegar no próximo sistema planetário (é possível ter água líquida no planeta chamado Próxima B que orbita essa estrela). Então nossa próxima fronteira de mudança está bem longe ou quase impossível de acontecer nos próximos 200 anos. Então se destruirmos o nosso habitat natural (planeta Terra) não existe possibilidade de trocarmos de casa. Mas em um mundo moderno quem se interessa por macrocosmos? Ou quem tem tempo para o microcosmos, partículas subatômicas ou microbiogia. Estamos sempre muito ocupados para ler, conhecer, quem se interessa pela filosofia pela sociologia? São áreas do conhecimento que nos fazem refletir que nós somos parte de um todo coletivo. Ciência está em baixa, é coisa de gente que não tem o que fazer, o mundo moderno é conhecer os números dos valores que investimos na bolsa, ou em fundos de renda fixa. Se estamos perdendo dinheiro ou investindo errado. Se acumulamos recursos o suficientemente para termos segurança financeira. Mas esquecemos que produção só existe se os bens da vida forem produzidos, se os serviços forem prestados por pessoas, e na base estão elas como destinatárias de tudo isso. Os robôs do mercado financeiro que não o serão. Precisamos inventar alternativas (ou acelerar as que já existem) que não impactem os recursos naturais e finitos. Se isso não ocorrer não haverá produção sustentável e não haverá riqueza. O coronavírus veio a nos premiar com a pausa. O nosso grande condomínio que chamados de “Estado como conhecemos” só se justifica se ele tiver condições de manter “o bem estar social coletivo”. Não havendo essa possibilidade, a história já mostrou que na falha dessa missão ele passa ser substituído por outro, em caso de ruptora mais significativa o modo de produção é substituído. Certo que o mundo terá uma nova visão daqui para frente. Todos no mesmo tom afirmam que o mais importante é a vida. Primeira missão é não morrer em razão do Covid-19, depois trataremos de não morrer de fome. Uma coisa de cadas vez. Apenas para exemplificar estamos acompanhando a situação de conhecidos, que são pequenos empresários, e que certamente com um mês de fechamento de suas empresas, irão quebrar. Haverá falências se nada for feito. Estado forte não permitiria isso. Infelizmente estão desesperados, não sabem de onde vão tirar o sustento de suas famílias, são pessoas boas, são liberais, suas ideias políticas são mais conservadoras e sempre pregaram a menor intervenção do estado. Estão com razão em reclamar de algumas ações de estado, que atrapalham os pequenos empresários. Para eles certamente a impossibilidade de trabalhar está sendo muito dolorida. O medo sobre seu próprio futuro os assolam, nesse momento, depender do estado para se manterem, vai totalmente contra suas ideias de liberdade e de estado mínimo. Tal como o filho que briga com os pais, sai de casa buscando independência, sente o gosto da liberdade, e de repente se vê retornar ao ninho pedindo a ajuda. Compartilho da preocupação dos mesmos, particularmente acho que terei que fechar meu escritório de advocacia, pois a economia demorará para se recuperar, ou talvez seja um momento de oportunidade como muitos dizem que surgem nas crises. É fato que não teremos o mesmo olhar depois do coronavírus (e Covid-19), porque sobrou tempo para refletir sobre tudo. O Brasil sempre foi um estado liberal social. Nesse sentido, embora se tenha certa liberdade a incentivar as ideias privadas, quando necessário o estado deve intervir no que é importante. Não poderia ser de outra forma dado as desigualdades sociais. Isso não é só uma escolha política de A ou B, mas sim de uma necessidade humana Brasileira, e de uma característica de nossa realidade. Verdade é que a atual política conservadora, não revogou os programas sociais. Ao contrário, está a estimulá-los. É preciso ter calma, controlar as emoções, estamos todos no mesmo barco. Sendo assim, devemos ser solidários, não existe outra forma. Naturalmente os individualistas não terão muito espaço nesse momento. Aos que são mais solidários, nada mudou. Será necessário ajudar o maior número de pessoas do ponto de vista de preservação da saúde. Depois de salvo o maior número de pessoas, chegará o momento de sermos solidários para salvar o maior número de pessoas da pobreza e da miséria, salvar o maior número de empresas. O mundo inteiro seguirá nesse mesmo caminho. Não existe outra alternativa, por que somos coletivos, somos comunidade, muitas pessoas estão desesperadas e outras já estão agindo. Lembrando que não existe vácuo de poder, sempre haverá alguém para liderar no lugar daqueles que nos momentos de crise dão espaço a isso. Os que se mostrarem incapazes de agir serão ultrapassados. Recebi em alguns grupos de mídias sociais o pedido de ajuda para produzir, em casa, aventais e máscaras hospitalares, iniciativa do Hospital Divina Providência de Porto Alegre. Achei ótima ideia, porque isso ajuda proteger a vida dos que protegem as nossas vidas. Dentre as carreatas de carros importados e não importados, entre outros desesperados pedindo o fim da quarentena no dia 27 de março de 2020, é curioso não optarem por fazer passeata. Talvez seja mais seguro ficar nos carros. Quem sabe não seja só uma “gripezinha”. Entendo o desespero de alguns empresários de querer arriscar a vida de seus empregados para manterem o negócio, mas… . Devemos ficar com a opção do isolamento social, pois se começarmos empilhar os mortos como a exemplo da Itália ou da Espanha, se retornará ao isolamento de qualquer forma, e de nada adiantará pensar na economia primeiro. Sou otimista, porque ser otimista dá trabalho e temos que pensar em soluções. Ser pessimista é fácil, é só esperar a desgraça acontecer e usar a frase “alguém tem que fazer alguma coisa2” parafraseando o filósofo. Estamos não só diante de um acontecimento histórico, mas também de uma grande oportunidade de sermos melhores do que estamos sendo até então. Vai passar, e vai dar tudo certo. PS: Acabei de enviar nossa máquina de custura para o reparo. Se me for permitido irei fabricar voluntariamente máscaras e aventais para profissionais da saúde porque antes de ser advogado minha mãe me ensinou a costurar. Espero ser útil, depois decido se retornarei atividade de Advogado ou me descobrirei em novas habilidades. Marcos Aurélio Frantz Vianna é Advogado. Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Pós-Graduado pela PUCRS em Especialização em Direito e Processo do Trabalho. Pós Graduado em Direito Civil e Empresarial pela faculdade IDC. (frantz@frantz.adv.br). Texto redigido de 27.03.2020 para eventual livro a ser lançado no final de 2020 a convite dos jornalistas Kiko e Adriana. adriana@grupokad.com.br

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